Vale acredita que Samarco deve voltar a operar em 2020

Aline Massuca/Valor

RIO – O presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo, afirmou nesta quinta-feira que a companhia está "bastante confiante" de que a Samarco voltará a operar no segundo semestre de 2020.

Em teleconferência com analistas, o diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale, Luciano Siani, lembrou que a licença da mina de Alegria Sul já foi concedid e que a expectativa é de que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) conceda em agosto ou setembro a licença para a operação de todo o complexo da companhia.

Siani explicou, ainda, que o avanço na produção de carvão ainda depende de ajustes na usina em Moçambique. Segundo ele, o processo de abertura da mina para melhorar a movimentação de carvão foi bem sucedido, mas foram identificados gargalos na usina de processamento.

"[A usina] Não tem dado o rendimento esperado. Elaboramos planos para lidar com a situação. Expectativa que no próximo trimestre comente de forma mais clara o 'ramp up' [aceleração de ritmo de produção] do carvão", disse Siani.

A mineradora Samarco é uma joint-venture entre a Vale e BHP Billiton, cada uma com 50% de participação. A Samarco está com as operações paralisadas desde 2015, quando ocorreu o rompimento de uma barragem de rejeitos, em 5 de novembro daquele ano.

Siani ponderou que, inicialmente, os volumes produzidos ainda serão relativamente baixos. "Não esperamos que a Samarco contribua para o mercado transoceânico [de pelotas] no curto prazo", frisou Siani, lembrando que inicialmente a produção da empresa deve ser de um terço da capacidade produtiva.

Segundo Siani, será necessário um "trabalho adicional" para elevar gradativamente a produção da Samarco, uma vez que a utilização de um segundo concentrador de minério está ameaçada pela nova regulação decorrente do rompimento da barragem de Córrego de Feijão, em Brumadinho (MG) em 25 de janeiro deste ano.

Também presente à teleconferência, o diretor-executivo de Ferrosos, Marcelo Spinelli, afirmou que o aumento da produção de pelotas pela Vale vai depender da retomada da produção de 'pellet feed' – o mais fino dos três tipos de minério e matéria prima das pelotas – nas regiões em que as operações foram paralisadas depois do rompimento da barragem em Brumadinho. Para este ano, a previsão da mineradora é produzir 45 milhões de toneladas de pelotas.

Produção a seco

A Vale espera retomar a produção de 20 milhões de toneladas de minério de ferro por ano a seco, sem o uso de água no processamento, no primeiro trimestre do ano que vem, disse Spinelli.

O processamento do minério de ferro a seco faz parte da política da Vale de reduzir as incertezas em seu sistema operacional depois da tragédia de Brumadinho.

Ontem, a companhia informou que teve avanços no segundo trimestre em relação às interrupções de produção, que totalizaram 93 milhões de toneladas por ano de minério de ferro no primeiro trimestre.

A retomada das operações na mina de Brucutu, em junho, permitiu a recuperação de 30 milhões de toneladas de capacidade de produção. Houve ainda o retorno parcial do processamento a seco no complexo de Vargem Grande, também em Minas Gerais, que adicionou cerca de 12 milhões de toneladas anuais, sendo 5 milhões de toneladas em 2019.

A Vale informou que, em relação à produção de cerca de 50 milhões de toneladas ainda interrompida, espera-se que 20 milhões de toneladas com processamento a seco sejam "gradualmente retomadas", começando no final deste ano.

As restantes 30 milhões de toneladas de capacidade de produção paradas incluem processamento à úmido (com o uso de água), e devem ter retorno estimado em dois ou três anos, segundo a companhia.

O executivo participou, esta manhã, de segunda teleconferência com analistas sobre desempenho da empresa, referente ao segundo trimestre, anunciado ontem.

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